Uma criança batendo o pé no supermercado, um adolescente que se recusa a desgrudar da tela, uma briga entre irmãos que se intensifica durante o jantar. Essas situações, a maioria das famílias enfrenta sem um manual. Acompanhar uma criança em sua educação não se resume a estabelecer regras: é aprender a ajustar a postura parental ao longo das idades, dos contextos e dos temperamentos.
Compreender as emoções da criança antes de querer corrigi-las
Você já percebeu que uma criança com raiva raramente se acalma quando pedimos que ela se acalme? Isso acontece porque seu cérebro emocional prevalece sobre sua capacidade de raciocínio. Antes de corrigir um comportamento, é preciso primeiro acolher o que o desencadeia.
Vamos a um exemplo. Uma criança de quatro anos joga seu prato porque queria macarrão e não arroz. A reação instintiva seria repreender. Uma abordagem centrada na gestão das emoções na criança consiste em nomear o que ela sente: “Você está decepcionado porque não é o que esperava.” Esse simples reflexo verbal a ajuda a identificar sua emoção, que é o primeiro passo para aprender a regulá-la.
Alguns pais fazem três perguntas para desenvolver a inteligência emocional de seus filhos: “O que você está sentindo?”, “O que te deixou assim?”, “Do que você precisa agora?” Essas formulações, adotadas por vários especialistas em parentalidade, oferecem à criança um quadro para verbalizar em vez de reagir fisicamente.
Existem recursos para aprofundar essa abordagem. As famílias que buscam um ponto de partida estruturado podem consultar a página de pais do Parlons Enfance, que reúne referências concretas sobre as relações entre pais e filhos e as etapas do desenvolvimento.

Parentalidade positiva: além do conceito, o que muda no dia a dia
A expressão “parentalidade positiva” circula por toda parte, mas sua aplicação concreta continua vaga para muitas famílias. Não se trata de aceitar tudo nem de eliminar limites. A parentalidade positiva baseia-se em um quadro firme estabelecido sem violência, seja física ou verbal.
Uma referência legislativa recente ilustra essa evolução. Em 2026, a Suíça modificou o artigo 302 de seu Código Civil para inscrever explicitamente a proibição de qualquer violência educativa, incluindo formas que não deixam marcas físicas. Essa reforma também obriga os profissionais que estão em contato com crianças (professores, cuidadores, assistentes sociais) a sinalizar situações preocupantes.
Concretamente, o que isso significa em casa? Aqui estão alguns princípios que substituem a punição clássica:
- Descrever o comportamento inadequado em vez de julgar a criança (“Você bateu na sua irmã” em vez de “Você é mau”), o que separa o ato da identidade.
- Propor uma reparação em vez de uma sanção: a criança que derruba um copo d’água limpa sozinha, o que a ensina a responsabilidade sem humilhação.
- Oferecer escolhas estruturadas (“Você prefere arrumar seus brinquedos antes ou depois do banho?”) para que a criança sinta que tem controle sobre sua vida cotidiana.
Esses ajustes parecem simples no papel. Na prática, exigem do pai uma regulação de suas próprias emoções, o que explica por que a saúde mental dos pais condiciona diretamente a qualidade do acompanhamento educativo. O site Psycom dedica, aliás, um dossiê a esse assunto, lembrando que cuidar de si mesmo não é um luxo, mas uma condição prévia.
Telas e vida digital: estabelecer um quadro sem desencadear a guerra
A questão das telas cristaliza as tensões na maioria dos lares. As crianças têm acesso cada vez mais cedo, e os pais oscilam entre deixar fazer e proibição total.
Nenhuma dessas duas posturas funciona de forma duradoura. A proibição cria frustração e leva a criança a consumir em segredo. O deixar fazer, por sua vez, priva a criança de um aprendizado de autorregulação. Um quadro negociado com a criança produz melhores resultados do que uma regra imposta sem explicação.
A UNESCO recentemente pediu um “novo contrato entre pais e filhos” em relação às redes sociais, destacando que a formação dos pais em questões digitais é tão necessária quanto a formação das próprias crianças. Em outras palavras, para acompanhar uma criança nesses assuntos, é preciso primeiro entender o que ela faz e por que isso a atrai.
Algumas referências práticas:
- Definir juntos horários de uso em vez de um número de horas, pois uma criança retém melhor “sem tela durante as refeições e após as 20h” do que um contador abstrato.
- Usar as telas em atividades compartilhadas (um jogo, um documentário, um tutorial criativo) pelo menos uma vez por semana, transformando um tempo passivo em um momento de relação.
- Conversar regularmente sobre o que a criança viu ou fez online, sem tom inquisitivo, para manter um espaço de diálogo aberto.

Relação escola-família: uma alavanca subutilizada
O sucesso escolar depende tanto do que acontece em casa quanto do que acontece na sala de aula. As pesquisas sobre a relação entre acompanhamento parental e resultados escolares convergem em um ponto: não é o nível de escolaridade do pai que conta mais, mas sim seu envolvimento no acompanhamento.
Isso não significa vigiar cada exercício. Um pai que se interessa pelo conteúdo das aulas, que faz perguntas abertas (“O que você aprendeu de interessante hoje?”) e que participa das reuniões da escola envia um sinal forte: a educação é importante nesta família.
A comunicação com os professores continua sendo um ponto fraco em muitos lares. Uma troca no início do ano para sinalizar uma dificuldade ou um contexto familiar particular pode evitar mal-entendidos que se acumulam ao longo dos meses. Os profissionais da educação e do trabalho social possuem ferramentas de escuta e orientação, mas só podem mobilizá-las se o diálogo existir.
Na França, uma reforma prevista para 2027 reforçará o direito da criança a ser ouvida nos procedimentos de assistência educativa, com a designação obrigatória de um advogado para cada menor envolvido. Essa mudança lembra que o acompanhamento educativo não se baseia apenas nos pais: é uma rede entre família, escola, profissionais de saúde e quadro jurídico.
Cada família lida com suas limitações, dúvidas e recursos. O mais útil não é buscar o método perfeito, mas manter três coisas: uma escuta regular da criança, um quadro estável que se adapta à medida que ela cresce, e a capacidade de pedir ajuda quando a situação ultrapassa o que se sabe gerenciar sozinho.



